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  • 27.2.2012 - 18:11
  • O que é o Rotax DD2?
  • O Allkart.net conferiu de perto como funciona este motor de duas marchas com transmissão direta

  • Rotax DD2Direct Drive 2-speed. Em português, estas palavras traduzem o que é o motor DD2 da Rotax: um propulsor com transmissão direta no eixo e duas velocidades. Este sistema, desenvolvido para karts pela Rotax, chegou ao Brasil neste começo de temporada e é uma das categorias que integra o programa da marca na Copa São Paulo Granja Viana. Na primeira etapa de 2012, somente kartistas maiores de 32 anos puderam andar; a partir da segunda, a disputa da Rotax para pilotos com idade entre 15 e 32 anos.

    O Allkart.net foi até Cotia, onde treinos estavam sendo realizados no Kartódromo Granja Viana (e onde está uma base da Rotax), para ter um contato um pouco mais próximo com o DD2. 33 cavalos de potência, que agradaram a todos que o testaram nas últimas semanas.

    A ideia de se ter um motor com transmissão direta é para evitar que a potência se dissipe na troca de marcha. O conceito de transmissão direta, neste caso, vai além do tradicional pinhão-corrente-coroa dos tradicionais motores 125cc. No Rotax DD2, o eixo traseiro passa por dentro do motor. A perda de potência, assim, é mínima. Este eixo possui diâmetro de 40mm e a medida se justifica: se este valor fosse mais elevado, as dimensões do motor também precisariam crescer. Segundo Wilton Santos Jr., representante da Rotax no Brasil, as quebras do eixo são raras: “Em Dubai, no Rotax Max Challenge Grand Finals, um dos nossos pilotos levou uma pancada e o eixo entortou, mas não é nada que afeta o motor. Claro que não é impossível, mas é muito difícil o eixo quebrar dentro do motor”.

    Além disso, existe o Power Shift, dispositivo que permite que a troca de marcha aconteça sem que o piloto precise tirar o pé do acelerador. Deste modo, quando o DD2 alcança os 12 mil rpm, basta que apertar a borboleta de câmbio e passar para a segunda marcha. “O nosso motor alcança os 14 mil giros, mas ele perde um pouco de potência a partir dos 12”, explica Wilton.

    Ricardo Molina, engenheiro da Kart Mini que, inclusive, disputou a primeira etapa da CSP Granja Viana na DD2 Masters, disse que “chega um momento, quando o motor está na casa dos 12 mil giros, em que há mais gasolina entrando do que o ideal. Nessa hora, é engraçado que, se você tirar um pouco o pé do acelerador no fim da reta, o kart vai crescer”, comentou.

    Uma das diferenças para o Shifter Kart é justamente essa: não há alavanca de câmbio, nem de embreagem. Existem duas borboletas que ficam atrás do volante. Ao centro, o kart está em ponto morto. À direita, engata-se a primeira marcha e, à esquerda, a segunda. “Quer dizer, a gente fala primeira e segunda, mas é uma marcha para a reta e outra para o miolo”, ressalta Wilton.

    O chassi utilizado é basicamente o mesmo da categoria Shifter, com alguns pequenos ajustes, como o das já citadas borboletas de câmbio e alterações na parte traseira, para melhor acomodar o motor, cujas dimensões são diferentes. A principal diferença fica à direita do banco, onde não existem caixas de rolamentos – afinal, a transmissão é feita diretamente no eixo. O Rotax DD2 também usa os freios dianteiros acionados, junto com o disco traseiro, pelo pedal esquerdo.

    Um filtro de ar fica do lado direito do piloto. Atrás deste filtro está o carburador Dell’Orto, onde ocorre a mistura do fluxo de ar com a gasolina (no Brasil, a recomendada é a Podium, da Petrobras, que deve ser misturada com óleo dois tempos a uma proporção de 2%). Essa mistura entra direto no motor, a combustão acontece e a potência é gerada.

    No motor, o que pode ser feito em termos de ajustes é a troca das coroas através de uma abertura da lateral do motor, que sai de fábrica com uma relação intermediária de 64 por 32. As outras opções são 63 por 33 e 65 por 31.

    Danilo Carvalho, que trabalha com Molina no departamento de engenharia da Kart Mini, estava na Granja Viana. Foram os dois que, juntos, desenvolveram as adaptações ao chassi “misto” da marca, construído com tubos de 30mm e 32mm. “O mais complicado é criar uma base para o motor. Você tem que buscar tolerância nos centésimos para chegar na pista e o piloto ter um alinhamento do eixo mais seguro, o mais exato possível”, afirmou Danilo. Além da Kart-Mini, a Thunder também já produz chassis para esse motor, enquanto PPK e Mega Kart estão trabalhando para adequar seus equipamentos às características do Rotax.

    O pára-choque é outro equipamento especial para a categoria DD2. É um item de segurança patenteado pela Rotax, com uma tecnologia anti-encavalamento – que é bastante simples. Nas extremidades da peça, dois rolamentos impedem que, no caso de um contato no local, o kart que vem atrás decole – os dois rolamentos giram em falso e evitam um acidente de maiores proporções.

    O motor Rotax DD2 também conta com dois conceitos em vigor na Europa e utilizados em alguns modelos de motor no Brasil: a partida elétrica e o escapamento mais silencioso. A partida elétrica é dada por meio de um sistema que começa em uma bateria da BRP, a YUASA, “que é boa para ser usada em motores, pois ela pode levar pancadas, ao contrário de algumas baterias de no-break, que são utilizadas por aí”, como diz Wilton. Há um motor de arranque acoplado ao motor que gira as engrenagens e inicia o motor, diferentemente dos karts que “pegam no tranco”.

    Detalhe do pára-choque da Rotax DD2 (Foto: Renan do Couto/Allkart.net)

    Detalhe do pára-choque da Rotax DD2 (Foto: Renan do Couto/Allkart.net)

    Com relação ao escapamento, o representante da Rotax destacou o quão mais baixo o barulho que ele faz é: “Nós estamos aqui conversando e o barulho dos karts que estão andando na pista está quase ensurdecedor. Muito alto. O máximo de decibéis que este equipamento emite é de 92, e esses dois tempos chegam a emitir 120 db”.

    Como os motores Rotax correm apenas em categorias monomarca, não há a necessidade de se preparar o motor – ele é equalizado pela própria fabricante e lacrado. Caso este lacre seja rompido, o piloto tem de pagar uma nova revisão, para que seja assegurada a idoneidade do equipamento. E já que a filosofia da Rotax é produzir motores de alta durabilidade, os kartistas têm de arcar com custos de revisão e manutenção.

    “A longevidade do motor é ampliada por uma tecnologia da Rotax. Por dentro, há um revestimento de nicacil (níquel-cromo) e de teflon-molibdênio que resulta em uma baixa fricção. Deste modo, o nosso motor tem 25 horas de uso antes que se torne necessária uma troca de pistão, que no Brasil custa 750 reais já com a mão-de-obra incluída”, acrescentou Wilton Santos.

    Falando em valores, o Rotax DD2 é adquirido junto de um kit completo, que inclui “filtro de ar, carburador, cabo do acelerador, o radiador e as mangueiras, a bateria, o botão liga-desliga, o botão de partida, as palhetas da marcha, ignição digital, o escape e todas as braçadeiras que vão segurá-lo no chassi. Completinho, é só tirar da caixa, colocar gasolina e amaciar o motor”, disse Wilton. O preço: “este kit completo sai a R$ 12.212,00, à vista. O preço normal dele é de R$ 13.800,00”.

    Repórter de testes

    A Rotax permitiu que os repórteres do Allkart.net, Nei Tessari e Renan do Couto, experimentassem o DD2 na Granja Viana. Sem nunca ter andado em um kart de competição, a dupla ficou impressionada, e aprovou a experiência. As impressões de Nei Tessari foram melhor descritas em sua coluna no Allkart.net, “piloto de verdade por um dia”, bem como um vídeo com a sua partipação.

    + COLUNA: “Piloto de verdade, por um dia”
    + ALLKARTVÍDEO: Nei Tessari testa o Rotax DD2 

    Nei Tessari na pista (Foto: Renan do Couto/Allkart.net)

    Nei Tessari na pista (Foto: Renan do Couto/Allkart.net)

    “Não tem nada a ver com um kart indoor”, disse Renan. “Você acelera e se sente pressionado contra o banco, tamanha a potência. É muito legal”, completou.

    Entre as saídas à pista de Tessari e Renan, Danilo Carvalho, da Kart Mini, também testou o Rotax, e aprovou: “é bom ‘pra’ caramba. Em relação ao kart 2T, é uma evolução para o piloto, pois o motor é forte e tem essa troca de marcha, que deixa mais divertido”.

  • Autor:
  • Renan do Couto - SÃO PAULO - SP

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4 Responses to O que é o Rotax DD2?


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    • Augusto Moraes diz:
    • 23 de maio de 2012 at 6:19
    • Boas!!!
      Moro em Portugal e nestes 12 anos de kart, andei com vários conjuntos diferentes; des do chassi Diana com motor Dap 100cc (hehehe) até chegar aos 125cc. Antes ainda de andar de DD2 andei de CRG com ROTAX MAX. Hoje posso dizer com toda segurança do mundo que temos nos Rotax DD2 tudo aquilo que desejamos ao sentar num Kart veloz e com mudanças, sem aquele castigo das 6 velocidades dos motores TM e outros da mesma categoria.
      Não esquecendo longevidade do motor… No artigo estão falando em 25 hs…rsrss… Já vi caso de terem 50 hs e ainda estarem na pista. Sendo assim, penso que temos aqui uma opção perfeita para se conseguir gastar pouco, andar muito rápido e sentir toda adrenalina dos motores de caixa.
      Cump. a todos.

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