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  • 26.2.2014 - 10:29
  • Entrevista: Gianluca Petecof
  • Campeão brasileiro e da Copa Brasil em 2013, paulista tem sido destaque pela fase de vitórias que emendou na Júnior Menor

  • Emendar uma sequência de grandes conquistas no kartismo de competição não é uma tarefa fácil. Foi por isso que a série de títulos e vitórias do paulista Gianluca Petecof vem chamando atenção na categoria Júnior Menor. Aos 11 anos de idade, o piloto natural de São Paulo venceu o Brasileiro de Kart e a Copa Brasil no ano passado, e abriu 2014 conquistando seu bicampeonato no Super Kart Brasil e, em seguida, assumindo a liderança do Flórida Winter Tour, nos Estados Unidos, com duas vitórias na primeira rodada.

    Por isso o Allkart.net decidiu saber mais sobre o piloto, que faz em 2014 sua quinta temporada completa no kartismo. Confira abaixo o bate-papo com Gianluca Petecof:

    Gianluca Petecof (Foto: Ken Johnson)

    Gianluca Petecof (Foto: Ken Johnson)

    Allkart.net – Você vem em uma fase de títulos e vitórias importantes desde o ano passado. A que você atribui essa sequência de bons resultados?

    Gianluca Petecof - Estou aprendendo que mais importante do que os títulos, foi a maneira como eles aconteceram. Quem não assiste, às vezes não percebe, mas eu sempre subi muito cedo de categoria e disputei com pilotos mais velhos e mais experientes. Isso me ensinou muito e fez a diferença. Não é apenas ganhar para mostrar que tem o troféu. Acho que tudo é uma sequência, uma preparação especial. Em 2012 eu ganhei mais de 30 corridas na Cadete e Super Cadete e vários títulos também.

    Minha família me apoia e só querem saber se eu gosto muito, muito mesmo. Porque não é fácil fora da pista. Preciso dormir cedo, comer no horário e de nota boa no colégio. (risos)

    Claro que meu pai conseguiu me colocar em uma ótima equipe, também. Sem isso nada acontece. O Onassis (Souza, chefe da ONS Motorsport) tem muita experiência e títulos e, além disso, contratou o Dennis Dirani há alguns anos, que é um dos maiores vencedores do kart. Ele me ajudou muito e me ensina a cada dia. É difícil explicar, é um pouco de tudo.

    Allkart.net – Como foi sua adaptação à Júnior Menor? Qual foi a maior dificuldade: o kart maior ou o motor mais forte?

    Gianluca Petecof - Na verdade tive dificuldades com os dois. O tamanho, porque demora um pouco pra você se acostumar com o espaço. Eu subi logo depois de fazer 10 anos e sou meio baixinho, então eu ficava quase na altura do volante. Nem dava pra enxergar direito. Mas acho que minha maior dificuldade foi com o motor mais forte. Levei um tempo até conseguir entender como aproveitar a potência naquele tipo de eixo e com pneus novos, para ganhar tempo ao acelerar o mais cedo possível na saída das curvas, com o kart equilibrado.

    Allkart.net – Campeonato Brasileiro, Copa Brasil, a liderança no Flórida Winter Tour e, recentemente, o título no SKB. Dá para eleger qual foi a conquista mais importante?

    Gianluca Petecof - Essa pergunta é a mais difícil (risos)! É diferente, porque cada título tem uma história. O SKB é um grande campeonato e é uma honra ter me tornado bicampeão, após ter sido campeão invicto do SKB 7. Mas ser Campeão Brasileiro de Kart, eu acho que é o sonho de qualquer garoto quando começa, e no fundo foi mais especial, porque em Serra (ES) tinham pilotos muito talentosos e muito fortes na disputa. Também foi especial por eu ter obtido o recorde de mais jovem campeão da história da Júnior Menor, que fiquei sabendo depois.

    A Copa do Brasil também foi importante pra mim, porque meses antes, no GP Nacional, na mesma pista, eu andei em último e tive muita dificuldade de adaptação. Considero o RBC Racing, em Vespasiano (MG), a pista mais difícil do Brasil e tive que treinar muito lá antes de conseguir ser campeão.

    Depois, vencer nos EUA e no Florida Winter Tour foi fantástico pela visibilidade que te dá e por ser um dos campeonatos mais fortes do mundo. As pessoas vem falar com você e é bem legal. Muitos só falam da Europa, mas quem conhece o kartismo nos Estados Unidos sabe que para ganhar não é nada fácil – nem para os europeus – e que precisa de muito esforço e dedicação. Este ano tem mais de 45 pilotos de diversos países na minha categoria (Rotax Mini Max) e pude vencer as duas finais em Homestead sobre o atual campeão americano da Mini Max.

    Gianluca comemora o título do SKB-14. (Foto: Maurício Villela)

    Gianluca comemora o título do SKB-14. (Foto: Maurício Villela)

    Allkart.net – Este vai ser o seu segundo ano na Júnior Menor. Sendo um dos “veteranos” dessa categoria, as coisas tendem a ficar mais fáceis?

    Gianluca Petecof - O Onassis e o Dennis Dirani sempre me ensinaram que as coisas podem é ficar mais difíceis, isso sim! Foi isso que pensei no SKB 14, porque os pilotos sobem de categoria e só pensam em ganhar de você que ficou lá. Eu sempre subi cedo de categoria e treinei pra ganhar dos mais velhos. Acho que agora exige mais treino e dedicação. Este ano muitos pilotos bons ficaram e outros subiram, então acho que não tenho tantas vantagens assim como alguém pode estar pensando.

    Allkart.net – Quando você começou sua carreira nos Estados Unidos?

    Gianluca Petecof - Com oito anos, em 2011, meu pai me levou pela primeira vez no Florida Winter Tour. Disputei a categoria Micro Max com 42 pilotos, para que eu conhecesse o kart fora do Brasil e já fosse aprendendo que é um esporte mundial. No fim daquele ano, no dia do meu aniversário de nove anos, eu estreei como piloto mais novo do Skusa, em Las Vegas, já que a idade mínima era justamente nove anos, que eu estava completando naquele dia.

    Allkart.net – Quais as principais diferenças do kartismo lá para o daqui?

    Gianluca Petecof - Não sei dizer muito sobre isso, mas os grids lá são grandes, quase sempre com corridas classificatórias e repescagem. O ambiente é bem competitivo, até com rivalidade entre os países. Você vê também as principais marcas e equipes na pista, já que vão pilotos de várias partes do mundo.

    Nos Estados Unidos, Gianluca lidera a temporada 2014 do Florida Winter Tour depois de duas rodadas. (Foto: Ken Johnson)

    Nos Estados Unidos, Gianluca lidera a temporada 2014 do Florida Winter Tour depois de duas rodadas. (Foto: Ken Johnson)

    Allkart.net – Lá o nível técnico é mais alto se comparado ao Brasil? Ou equivalente?

    Gianluca Petecof - Acho que nos Estados Unidos, hoje, o nível técnico é mais alto, porque vemos os campeões de vários países na disputa, além das grandes equipes e marcas com vários pilotos na mesma categoria, que se preparam bastante e investem muito dinheiro pra ganhar lá. Mesmo assim, acho que tudo que aprendi de melhor foi nas corridas daqui, e certamente foi o que mais me ajudou pra poder vencer lá. Podemos ser os melhores com equipamentos iguais e as mesmas chances.

    Allkart.net – Qual o maior aprendizado que você traz de lá e aplica nas competições daqui?

    Gianluca Petecof - A gente aprende muito estando longe de casa para competir em um país tão diferente. Ainda não sei dizer exatamente o quanto, mas você ganha muita confiança. Precisa de mais disciplina e concentração dentro e fora da pista. A parte técnica do piloto também é mais desenvolvida desde cedo. É comum nos Estados Unidos um piloto mais novo se envolver com a parte técnica e ajudar no ajuste do kart, olhar o GPS e outras coisas. Minha equipe lá faz até reunião comigo depois dos treinos, para que eu tente passar cada detalhe do kart em relação às mudanças, e eles anotam tudo.

    Allkart.net – Pensa em fazer alguma coisa na Europa também?

    Gianluca Petecof - Tenho muita vontade de correr na Europa, já competi com vários adversários europeus nos Estados Unidos e seria ótimo ter uma oportunidade e ver como posso me sair por lá. Mas meu pai disse que por enquanto não está nos nossos planos, devido ao planejamento financeiro que temos, e aos custos das principais equipes por lá.

    Allkart.net – E planos para depois do kart? Já tem? Como você vê esse futuro?

    Gianluca Petecof - Meu sonho é ser piloto profissional e poder correr em alguma categoria importante, ser campeão. Mas hoje sei que é um esporte difícil, que não tem apoio das empresas. Meu pai fala que sou muito novo e tenho que curtir e aproveitar o kart agora, sem ficar pensando no futuro, porque pode acontecer de tudo. Por enquanto só penso em estudar e correr de kart porque gosto muito. Se algum dia surgir uma oportunidade, quero mostrar que sou capaz como muitos conseguiram.

    Allkart.net – Esse futuro no automobilismo pode estar nos Estados Unidos, pela ligação que você já tem com o esporte lá?

    Gianluca Petecof - Eu gosto muito de ir para os Estados Unidos, por quê é o lugar que comecei a viajar para correr desde cedo, e por quê já falo inglês. Lá tem muitas categorias interessantes como a Indy e a Nascar, que já fui assistir e são maravilhosas. Pode ser que eu tenha alguma chance no futuro, mas tudo pode acontecer.

    Colaboraram: Fernando Silva e Mariana Viegas.

  • Autor:
  • Ricardo Belussi - SÃO PAULO - SP

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