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Reporter Kart: Vicente Borges, piloto da Granja Viana
20-10-2009
Experiente piloto fala sobre a sua desclassificação na 9ª etapa da Granja Viana


Resumo da 9ª etapa da categoria Executive – 2009


Tomada de tempo

Fui o segundo colocado com o tempo de 49s762. O primeiro fez o tempo de 49s722. Uma diferença, portanto de 0s040 segundos.

Isso, tendo em vista que, mais uma vez, tive problemas com o carburador.


Corrida

Largando na segunda posição tinha que me manter atrás do primeiro colocado. Existem duas faixas brancas na pista, delimitando o caminho (traçado) do kart. Como estava atrás e do lado do primeiro, estava atento a quatro coisas importantes:

1) - não passar na frente do primeiro, antes de dada a largada (que é lançada);

2) - cuidar para não sair da faixa branca (seria penalizado em 20 segundos);

3) - ficar de olho no primeiro colocado, para ver qual a reação do mesmo na largada; e,

4) - prestar atenção no farol (fica vermelho quando apaga. A largada foi dada e está valendo a corrida: aí qualquer piloto já poderá passar pela faixa branca, ultrapassar adversários, etc).

Em todas as minhas corridas existe uma pessoa filmando tudo o que acontece, para, se o caso, ter como justificar qualquer alegação ou defesa.

E, logo na largada, já no início da faixa branca, o piloto que estava em primeiro deixou que as rodas do seu kart (lado esquerdo) passassem por cima da mesma (faixa branca).

As coisas acontecem muito rápido. Mas tinha a convicção de que naquele momento, já era o primeiro colocado. Isso, tendo em vista que o piloto que passou pela faixa branca teria que abrir 20 segundos na minha frente, o que não seria tão fácil assim (claro que em caso de quebra, seria fácil demais, mas depois de ter tido problemas em quase todas as provas do ano e otimista que sou, não contava com uma quebra grave a tal ponto).

Permaneci na segunda colocação na prova após a largada.

Existe um painel no final da reta que indica a posição dos 10 (dez) primeiros colocados. E os concorrentes que “brigavam” diretamente comigo pelo título de campeão (nas duas categorias) lá não apareciam (no painel).

O terceiro colocado começou a chegar. Estava mais rápido e, até então, não lutava diretamente comigo pelos títulos. Como o primeiro já deveria ter uns 5 (cinco) segundos na minha frente, melhor que o terceiro passasse a atacar o primeiro. E numa prova, tudo é possível...

Passou o terceiro, assumindo a segunda posição.

E terminei na terceira colocação.

Quando já estava no parque fechado e ao tirar o capacete, indaguei se viram a queima de largada. A resposta foi afirmativa. Logo, fiquei com a segunda posição.

Sendo o segundo, seria o líder de uma categoria (Sênior Executive) e estaria perto do líder na categoria Sênior. Ou seja: existiria mais uma corrida, no dia 07/11/2009 e teria chances concretas de ser campeão nas duas categorias.

Você deve estar se perguntando o por que do “existiria”. Deveria ser existe.

Esclareço:

Em todas as provas, após as corridas o kart é vistoriado e liberado em seguida.

Já a vistoria técnica do motor, sempre foi feita na terça-feira seguinte a prova, por força do adendo 04, de 18/06/2009, que alterou o artigo 6º (do regulamento), que reza:

“fica estabelecido que a partir da próxima etapa a vistoria técnica será realizada na terça feira subseqüente a prova.” (grifei).

Notem que o verbo usado é impositivo e não dar margem a qualquer dúvida: “será”.

Entretanto, resolveram fazer a vistoria no motor, naquele momento. Após a prova.

Sem problema. Para tanto e atento ao artigo 29, do regulamento desportivo e técnico, cuja redação é a que segue:


“artigo 29º - procedimentos: o comissário técnico da prova procederá verificação dos karts em local previamente determinado. a desmontagem das partes exigidas será feita por apenas um mecânico, devidamente identificado, indicado pelo piloto e sem nenhum ônus para o organizador, FAU ou CBA, na presença daquele comissário. As peças deverão ser apresentadas em condições de serem conferidas e medidas.” (grifei).

Fui procurar o meu mecânico, aquele que prepara os meus motores, que era a pessoa por mim indicada, ou seja, Sr. Moacir (conhecido como Moa).

Ocorre que o mecânico não estava no kartódromo. Em contato por telefone, o mesmo informou que a vistoria deveria ser feita na terça feira, como consta no regulamento (vide artigo acima transcrito) e que ninguém poderia por a mão no motor (artigo 29). Mais! Que no dia anterior a corrida (dia 02/10/2009), esteve no kartódromo e ninguém informou nada que a vistoria seria após a corrida.

Ao retornar para o local da vistoria, com a finalidade de informar que o meu preparador de motores não se encontrava no kartódromo, que lacrassem o meu motor e aguardassem para a vistoria ser feita na terça feira, como consta no regulamento, tomei um enorme susto, ao ver o meu motor desmontado e, ainda, por um outro preparador, cujo piloto disputa diretamente comigo o título de campeão.

Nesse momento senti uma tristeza enorme. Imediatamente fui até o meu carro e lá fiquei meditando e esperando que deus me falasse o que deveria fazer.

Eis que no meu interior algo dizia que eu seria desclassificado e, dessa forma, tirado da disputa do título de campeão do ano.

Mas o que deveria fazer?

E a resposta que tive na minha mente foi a seguinte:

“você está competindo com lealdade. Entretanto, tem gente que assim não age e já foi desclassificado por irregularidade técnica, não só na categoria que você corre, mas em outras, também. Ainda, a irregularidade técnica encontrada no outro concorrente, trazia vantagem indevida.”

E qual a saída, diante dessa situação?

“Simples! você tem dois caminhos a seguir: o primeiro é aceitar a desclassificação e continuar como um bobo, competindo. a segunda, que entendo mais correta, é expor o seu ponto de vista, qual seja: com a desclassificação de forma arbitrária e ilegal, você nunca mais pilotará um kart para competir”.

A essa altura já estavam me chamando para o pódio. Cheguei um pouco atrasado e visivelmente abatido.

Posteriormente, chamado na secretaria de prova, fui notificado da desclassificação. Assinei e deixei consignado que era ilegal, violava o regulamento e, se mantida, não mais competiria de kart.

O motor ficou retido.

Fui para o meu pedaço de terra que tenho no interior de São Paulo. Lá chegando, por ser um ambiente tranqüilo, perto da natureza, revisei tudo o que falei e assinei. E, perante Deus, minha consciência estava tranqüila. Todos os meus atos foram ratificados.

Ontem, dia 06/10/2009 (uma terça feira), estive no kartódromo. O meu preparador de motor (Moa) e o preparador de chassi (Alcindo), também lá estiveram.

Não apareceu ninguém para fazer a vistoria no motor e este continua retido. Após fazer uma declaração manuscrita, foram colhidas assinaturas de algumas pessoas conhecidas, com a finalidade de provar, caso necessário, que lá estivemos, nos termos do regulamento. Conversei e me despedi de algumas pessoas (Pedro, da PPK; Álvaro, preparador; Silvia, da loja; e várias outras).

Você deve está me perguntando: afinal, o que tinha o seu motor?

Respondo: a informação que passaram foi a de que o diagrama do motor deveria ter a seguinte medida: janela do escape: 178º (podendo ser mais ou menos 1: 177 a 179).

E o meu motor, segundo o preparador do outro piloto que o abriu, tinha 175,5 (alerto que outros preparadores também mediram e viram números diversos: 176,5 e, ainda, 177,5).

E o que acontece com um motor, cujo diagrama seja 175,5?

Respondo: segundo informações de outros preparadores e laudos que já solicitei, o motor fica mais lento. Mais fraco. Ou seja, piora o rendimento.

Você também poderá indagar, por que não ingressei com recurso?

Respondo: não sou preparador de motor. Nada entendo de preparação. Sei pilotar e sei quando ele é rápido ou lento demais. Quem tem capacidade postulatória para ingressar com eventual recurso, é aquele que preparou o motor, ou seja, o Moa. Entretanto, ao que parece, até o momento o mesmo ainda não foi notificado.


Outra pergunta que me fizeram: e se o seu motor fosse lacrado e na vistoria de terça feira após a prova, o diagrama estivesse, efetivamente, errado. O que você faria?


Respondo: nesse caso, aceitaria a punição, uma vez que tudo foi feito dentro do regulamento. Apenas iria resolver amigavelmente ou judicialmente com o meu preparador de motor, uma vez que o mesmo cobra pelo trabalho para preparar o motor e não “despreparar”.


Ah! Também me perguntaram se eu aceitaria uma nova vistoria.

Respondo: não tenho nada contra. Apenas mudaria o pólo passivo quanto a futura demanda judicial, caso o meu preparador afirmasse que realmente ele errou. Entretanto, conforme relatado acima, o meu motor foi aberto por um outro preparador, cujo piloto disputa o título comigo, no dia da corrida, sem que eu tivesse dado autorização para tanto. E, pelo que ouvi do meu preparador ontem (quando comparecemos no kartódromo), ele aceitaria, em princípio, uma nova vistoria, em que pese o motor ter sido aberto e por um preparador concorrente. Assim, poderia ver se as peças existentes no motor são as usadas pelo mesmo (juntas, etc).
Finalmente, o que você vai fazer agora?

Respondo: estou aguardando o meu preparador ser oficialmente notificado, para que inicie o prazo para eventual recurso por parte do mesmo.

E, caso persista a desclassificação, ratifico integralmente o que já disse: nunca mais sentarei num kart para disputar uma corrida. Poderei correr em outra modalidade (existem várias). Mas, desclassificado nessas condições, estaria indo contra meus princípios e desobedecendo uma voz interior, que me diz o que devo ou não fazer.

Do ponto de vista espiritual (imaterial), peço a Deus que perdoe aquele(s) que me prejudicou (prejudicaram). Que a “lei do retorno” não o(s) alcance(m).

Já do ponto de vista material, existe uma questão a ser decidida. E será! Cedo ou tarde, teremos uma resposta. Para mim, foi, sem dúvida, o pior final de semana. Agradeço a Deus por ter me dado forças e amenizado o meu sofrimento. Mas penso não ser justo investir dinheiro durante todo o ano, ter condições de ser campeão e ser desclassificado de forma irregular e ilegal, segundo o regulamento. E esse ponto, o judiciário deverá decidir.

Do fundo do meu coração, gostaria de agradecer a todos pelos e-mails e pelo carinho demonstrado. Que Deus abençoe a todos vocês.

Agradeço, ainda, ao próprio Kartódromo Granja Viana, que me proporcionou tantas emoções, centenas de troféus, dezenas de títulos, inúmeros amigos que fiz. Não só eu, mas todos os amantes da velocidade deveriam dar graças a Deus por tudo o que vocês (do kartódromo) fizeram e faz pelo automobilismo nacional. Peço, antecipadamente, que não guardem mágoa da minha pessoa, notadamente, diante dos futuros acontecimentos. Se algo fiz de errado, apesar de desconhecer, peço perdão.

Desculpem a todos por eventual equívoco. Toda e qualquer dúvida ou esclarecimento, estarei pronto para atender.

Aos amigos da categoria Executive (todos), um forte abraço. Que Deus os abençoe e tenham uma excelente corrida na última etapa.

Quando eu digo todos, são, efetivamente, todos, mesmo! Não guardo mágoa ou rancor de ninguém. Do contrário, não poderia rezar o “Pai e Nosso” (ao chegar naquela parte que diz “... perdoai os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...” eu sentiria uma tremenda vergonha e não continuaria).
E vamos em frente!

Um forte abraço.

Mais uma vez obrigado e peço desculpas pelo extenso relato.

Vicente Borges.

www.vicenteborges.com.br

Nei Tessari / São Paulo

 

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Comentários de visitantes:
Autor: Daniel Nunes Vieira Data: 2009-10-29
- São Paulo, 29 de outubro de 2009.

Pela presente, informo que ao recurso interposto pelo preparador de motor Francisco Moacir Santos Vieira (MOA), FOI DEFERIDO O EFEITO ATIVO, com a finalidade de:

“...permitindo que o mesmo execute o seu trabalho, com livre acesso ao Clube Granja Viana, até o final julgamento do feito.

São Paulo, 29 de outubro de 2009.

LIVIO PIVA JUNIOR
Presidente Interino
Comissão Disciplinar – TJD/FAP.”

No caso, trata-se de uma decisão liminar, que poderá ser mantida ou não após o julgamento do mérito do recurso interposto.

Todavia, por atingir por inteiro o ato praticado (desclassificação), deverá o Kartódromo cumprir a r. decisão, retornando ao estado anterior (“status quo ante”) e, com isso, não só permitir que o mecânico execute o seu trabalho no kart do piloto Vicente Borges (e eventual outro piloto), como devolver os pontos ao referido piloto.

Trata-se, portanto, de uma decisão que atinge todos os envolvidos (piloto desclassificado, demais pilotos beneficiados ou prejudicados com a desclassificação e toda a categoria Executive). Juridicamente conhecida como “erga omnes” (contra todos).

Esperamos que o Kartódromo cumpra a r. decisão, que o piloto Vicente Borges volte aos treinos e que o título seja “...decidido nas pistas”.

Atenciosamente,

Daniel Nunes Vieira - advogado.




Autor: Frank de Carlos Data: 2009-10-20
- Extenso porém verdadeiro. Creio que todos que leram o relato até o final, ou acompanham o campeonato de maneira assídua, percebem o quão injustiçado você e seus preparadores estão sendo, por essa decisão mais que polêmica tomada pelos organizadores. Te desejo sorte, seja qual for a próxima categoria que resolver participar no mundo do automobilismo, pois sei que será um grande vencedor onde quer que você esteja competindo. Abraço!



Autor: Palazzinho Data: 2009-10-20
- Mesmo não estando perto pra ver o que aconteceu, vejo que o Sr. Vicente fala com muita propriedade do que aconteceu. Não me parece esconder ou tentar mudar os fatos, e ainda mais por também conhecer o meio, acredito piamente que tenha acontecido essa vergonha. Infelizmente Vicente, foi isso que fizeram com nosso esporte: o deixaram pífio, vergonhoso, pequeno e ridículo, pra não falar mais. Você e mais muitas pessoas gastam fortunas em dinheiro para estar em um fim de semana longe de sua família sem curtir filhos ou outras coisas para estar em um kartódromo no meio da "bagunça" que tanto gostamos. Mas há décadas nossos dirigentes fingem que não vêem as coisas por esse lado e o resultado é que nosso esporte está falido. E está falido mesmo. Nossos kartódromos estão velhos e sem estrutura, assim o que resta do kart são algumas pessoas com situação financeira boa e que gostam acima de tudo. Portanto gastam sem pensar em retorno por gostarem tanto. Assim foi comigo também até que um dia o dinheiro acabou. Não existe critérios rígidos a serem seguidos. Fazem as coisas arbitrariamente como bem entendem num desrespeito tremendo com os pilotos e a fortuna que gastam. Esse é o resultado de termos dirigentes com pensamento antigo e de 3º mundo no comando. Nosso esporte vai acabar, infelizmente. Revelar novos talentos??? Isso vai ser uma lenda distante que um dia ouvimos falar. Sr. Vicente quero dizer-lhe que mesmo não o conhecendo me senti muito triste com sua história e com essa palhaçada que fizeram com o Sr.. Se o mecânico do seu concorrente que abriu seu motor fosse uma pessoa honesta e limpa ele naturalmente sabendo do regulamento teria se recusado a abrir seu motor. Mas contar com honestidade nesse mundinho medíocre de preparadores que brigam por coisinhas e "segredinhos" de preparação é praticamente impossível. Esse que abriu seu motor certamente viu ali uma mega oportunidade de ver o motor do outro por dentro deixando qualquer forma de princípio e honestidade para trás. Espero que tudo se resolva da forma mais correta para o Sr. e que possa assim continuar praticando e GASTANDO com o esporte que ama.



Autor: Claudio Sereia Data: 2009-10-20
- Vicente, você não tem que pedir desculpas pelo extenso relato. Nós é que temos que agradecer pela ampla explicação do que aconteceu...
Infelizmente muitas vezes acontecem coisas no Kartismo que realmente não entendemo$...
Boa sorte e não desista de lutar pelo seus direitos, afinal o regulamento está ai para ser atendido.





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